O especialista francês Georges Schmidt explica as fases do passo e a análise posturológica

O especialista francês Georges Schmidt explica as fases do passo e a análise posturológica

AS FASES DO PASSO

As fases do passo são tratadas em maneiras diferentes dependendo das escolas de biomecânica. Elas podem ser divididas em subfases em função do diagnóstico que queremos obter.

A marcha se caracteriza, ao contrário da corrida, com a presença de fases de apoio duplo, fase onde os dois pés estão em contato com o solo.

Em um pé analisado observaremos uma fase de duplo apoio inicial, uma fase de mono apoio e uma fase de duplo apoio terminal. Estas fases de apoio duplo são caracterizadas por uma transferência do peso do corpo de um pé ao outro. Existem então duas fases principais na funcionalidade do pé:

Uma fase de carga do corpo e uma fase de descarga.

 

Em física quântica, as fases de mudanças e de descarga não correspondem às fases de apoio duplo.  Na corrida onde não existem fases de apoio duplo, as fases de carga e descarga do peso do corpo são ainda presentes. Pode-se definir então como fase de desaceleração e de aceleração, em comparação com a velocidade de carga e a velocidade de descarga.

 

Correspondência com os dados da plataforma.

 

Se as fases do passo são caracterizadas principalmente pela carga e descarga do peso do corpo, são visíveis na plataforma no estudo da curva de força. Efetivamente observamos sempre uma parábola na curva de forças que indica um teto característico das cargas totais do peso do corpo. Porém existem algumas diferenças em relação às capacidades eletrônicas de cada modelo de plataforma especialmente em função das capacidades de aquisição das imagens.

 

 

No FOOTWORK PRO, sendo a eletrônica mais sensível, observamos geralmente dois picos; o primeiro, mais leve que o segundo, corresponde às mudanças do peso do corpo e marca a divisão entre a fase de carga e a fase de descarga. O segundo marca o impulso final do pé. As fases de apoio duplo são muito mais visíveis no FOOTWORK PRO com:

- uma fase de apoio duplo inicial no primeiro pico.

- uma fase de mono apoio entre os dois picos.

- uma fase de duplo apoio terminal do segundo pico no fim do passo.

 

Conclusão.

 No FOOTWORK PRO podemos analisar os tempos das fases de apoio duplo em relação aos dois picos bem distintos, mas também as fases de desaceleração e de aceleração separados pela curva que existe entre os dois picos.

Diferenças clínicas entre apoio duplo e cargas.

 Clinicamente analisamos um pé através de uma analise dita “unipodal”. Analisamos então os movimentos de um membro inferior de forma independente em relação ao outro.  Entretanto a marcha é caracterizada pelas fases de duplo apoio, então é importante efetuar uma análise bipodal em seguida.

A análise unipodal é então baseada em um segmento da marcha em fase de carga e descarga.

 

A análise bipodal é baseada em um segmento de marcha em fase de duplo apoio inicial e terminal.

 

De fato, uma análise dinâmica unipodal de um membro inferior é baseada no estudo do movimento de rotação que efetua este membro inferior, e o restante do corpo, em torno do pé de apoio. Este movimento é então cíclico. Ele marca uma elevação progressiva da bacia (fase de carga) seguido por uma descida da bacia (fase de descarga) no plano sagital. Os tempos de rotação são então considerados como idênticos entre as duas asas, o que é um absurdo.

 

A análise bipodal é marcada por um movimento sinoidal da bacia. A análise das fases de duplo apoio permite determinar os diferentes tempos de rotação entre os dois arcos ilíacos e então fazer a análise cinética da bacia e da coluna vertebral.

 

Conclusão:

 

A análise unipodal permite diagnosticar os movimentos das articulações do membro inferior unicamente (pé, tornozelo e joelho).

A análise bipodal permite diagnosticar os movimentos das articulações subjacentes     (arcos ilíacos, sacro, coluna vertebral) e então analisar as compensações entre membro inferior direito e membro inferior esquerdo. De fato, o impulso gerado por um pé vai modificar as forças de atrito no momento de impacto do pé oposto. A reação muscular de cada pé depende então do impulso contralateral.

 

Aplicação prática das fases do passo.

Perceberemos no Footwork Pro as imagens correspondentes aos dois picos de força.

Na parte segmentação das fases, destacamos estas duas imagens afim de obter em percentual, as fases de duplo apoio. Clinicamente, a fase de duplo apoio terminal de um pé é igual ( com margem de 5%) à fase de duplo apoio inicial do pé oposto.

 

Caso contrário, em um aumento da fase de duplo apoio terminal compensa uma instabilidade da fase de carga do pé oposto. Convém analisar os valores de carga e de descarga dos dois pés através da observação das integrais curvas de força, segmentando cada curva por uma zona de captadores delimitando o antepé e uma zona de captadores delimitando o retropé.

 

Procura do equilíbrio de marcha.

 

Não existe, logicamente, passo de pé “normal”. Não podemos então apresentar curvas normais. As análises estáticas não permitem calcular um risco patológico em função da semelhança entre as curvas características de tal ou tal patologia e aquelas observadas no paciente. Na realidade, em um paciente que apresente, por exemplo, uma diferença no comprimento de membro traumatizado, seria estúpido prometer a ele um tratamento que lhe fará caminhar normalmente. O objetivo de um tratamento ortopédico é encontrar um tratamento que evite a dor (tratamento paliativo) ao risco de desencadear um sistema de compensação que gere uma outra dor ou um tratamento curativo que reencontrará o equilíbrio da marcha própria ao paciente.

 

A noção de equilíbrio é bastante diferente em estática e em dinâmica.  Em estática, estas noções correspondem ao teorema de Newton: a soma das forças é igual a zero ou         direito + esquerdo = 0. Em dinâmica, o equilíbrio é feito através do teorema de Lagrange-Euler: a soma das energias mecânicas é igual a zero. Em outras palavras, um pé compensa o outro ou Direito(t) + esquerdo(t)=1.

 

O equilíbrio na plataforma

 

Os dados da Plataforma são 7 e possuem suas importância no momento do equilíbrio.

Todas as curvas podométricas são caracterizadas por dois critérios:

 

- o tempo,

- a quantidade.

 

Exemplo:

 

A curva de força é uma parábola, o que quer dizer que ela sobe até o topo e depois diminui ao fim do passo. Se nós dividirmos esta curva em dois com uma linha que passa por este pico, a curva de força F é uma função par, isto significa que a quantidade de carga deve ser igual ou próxima da quantidade de descarga: o pé absorve uma certa quantidade de carga e deve então restituir esta mesma quantidade. Caso contrário, as rotações dos membros inferiores serão diferentes e poderiam por exemplo ser a origem de um bloqueio sacro-ilíaco.

 

Uma vez traçada a linha vertical no pico de força você pode traçar duas retas:

  • uma que passa pela origem (impacto do pé) e o pico de força,
  • a outra passando pelo pico de força e o fim do passo.

A quantidade de força em cima destas retas representa matematicamente a variação de F e então a quantidade de flexão do joelho. Se a quantidade de flexão do joelho é demasiadamente importante durante a segunda fase (fase de descarga), a pariedade de função não será respeitada. Este aumento de flexão do joelho em fase de aceleração irá desencadear uma queda rápida da Crista Ilíaca e então um forte risco de bloqueio Sacro-Ilíaco oposto.

 

Na prática o que fazer?

 

Uma vez que as fases do passo tenham sido segmentadas em fase de duplo apoio inicial e terminal (teremos então verificado o tempo de rotação dos dois membros inferiores), repassamos na curva de Força (segmentação das áreas) afim de verificar a quantidade de carga e descarga. Por isto temos de delimitar duas áreas de captadores: retropé e antepé.

 

Obteremos assim duas curvas onde as formas são parecidas e duas parábolas que adicionadas formam a curva geral. Para avaliar as quantidades, observamos as integrais, o significa as superfícies destas duas curvas. Quanto mais a integral é importante, mais o pé é instável ( esta noção é um tanto equivocada porque é necessário considerar outros dados, mas ela ilustra o interesse clínico). O equilíbrio é então atingido no momento que as integrais do antepé direito e do retropé direito são respectivamente idênticas às integrais do antepé esquerdo e do retropé esquerdo.

 

 Conclusão:

 

A análise dinâmica com a plataforma é uma análise da cinética do membro inferior. Ela se diferencia de uma análise de vídeo para uma modelização matemática da função do pé. A análise cinética com Plataforma é baseada no estudo de variações dos vetores Força e Superfície. Podemos ilustrar esta noção comparando a análise da Plataforma a uma mola:

 

·         no primeiro tempo a carga (Força) esmaga a mola (Superfície);

·         em um segundo tempo, a elasticidade da mola envia a mesma quantidade de carga.

 

Esta noção simplifica demais a análise da Plataforma, mas dá a trama do protocolo de estudo. Ela permite simplesmente entender que a análise da Plataforma dá um diagnóstico preciso da cinética do paciente.

ANÁLISE POSTUROLÓGICA OU ESTABILOMETRICA

 A Posturologia é uma análise estática baseada nas oscilações do paciente. Do ponto de vista eletrônico, é importante notar que as áreas coloridas em vermelho correspondem às zonas de saturação dos captadores. As oscilações representadas nas curvas de estabilometria correspondem ao deslocamento do centro de gravidade. Efetivamente a cada imagem a superfície das áreas se modifica, calculamos então a cada momento a posição do centro destas zonas.

As curvas de posturologia são sinuzóides. Podemos então definir dois tipos de análise:

·         a procura de uma curva plana ( sem oscilação)

·         a procura de um equilíbrio.

 

No primeiro caso o tratamento busca tornar as curvas planas, quer dizer inibir o conjunto de oscilações. Neste caso o centro inercial das áreas de saturação não se move.

No segundo caso a quantidade de oscilação é idêntica à quantidade de oscilação do pé oposto. O resultado criará uma curva plana que será a média das duas curvas.

 

Conclusão

 

É impossível determinar valores normais em Dinâmica, em Estática ou em Posturologia. O equilíbrio próprio do paciente é baseado sobre uma homogeneidade das curvas e não dos diferentes valores gravados pela Plataforma.

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